terça-feira, 24 de novembro de 2009

Temporalidade


Como se vive mais?
Vivendo ou não cada paixão?
Quando não sofro sinto tão superior
Que a montanha russa simplesmente perde a graça

Nada mais importa só a temporalidade
Me apavoro
O que vem depois?
Depois que o tempo passar pela porteira...
Soltar os cachorros
Bagunçar os cabelos
Será que caberemos no vácuo
Com todas as nossas idéias e sonhos...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Brasil e a Não Violência


Essa é a semana de homenagem a Mahatma Ghandi. Meu herói! Grande e verdadeiro herói. Um herói dramático, cheio de conflitos e ao mesmo tempo um benfeitor sem expectativas. Ele é o cara! Se todos os caras envolvidos no tráfico, por exemplo, praticassem a não violência, a nossa historia estaria sendo escrita de outra forma. Então os falso-moralistas do governo diriam: Não se pode vender drogas! E os traficantes diriam: Mas nós vamos vender sim, não temos armas estamos limpos, mas vamos vender sim. Então o governo poderia escolher mandar a policia subir o morro e matar um bando de traficantes pacíficos, o que provavelmente, iria provocar uma comoção mundial, ou fazer uma negociação para legalizarem a droga e participar do monopólio das sementes, você sabe, teriam ao menos aqueles 40% de dos quais o governo é “sócio” em qualquer negócio. Quantas cabeças poderiam ser erguidas nesse ato não inconstitucional? A não violência é uma pratica como a violência, e precisa ser ensinada e acompanhada, como a violência. Isso é o tipo de coisa que tem que ser visto nas escolas, junto com a aula de “ prioridades” e a educação sexual.
Quando a sociedade vai perceber quer as facções mudam mas o objetivo é sempre o mesmo. Como diz o Peréio improvisando Reich:” Os paus mudam mas o cú é sempre o seu! .” Zé Mane!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Legalize Chico Science


Há quem diga que usar nomes em inglês, ou em qualquer outra língua falda em países desenvolvidos é como trair a pátria, subverter-se a globalização, essas coisas. Ariano Suassuna contestou fato de Chico Science não ser Chico Ciência. Ora, Chico Science,
fez muitas mentes no globo, cantando em português. O ritmo dele se encontrou com seu pensamento e transcendeu as barreiras da língua. Por isso o nome. Ele é o tipo de musico que faz o cara dar um jeito de descobrir o que a musica ta dizendo, inevitavelmente entrando em contato com a língua original. Se o inglês esta entrando naturalmente que sejamos logo um país bilíngüe, assim tem mais chance do nosso português ganhar simpatia no mundo. Cultura nós temos para explodir internacionalmente.
Sejamos realistas: O que não dá mesmo é pra ficar confabulando.
O mundo é uma aldeia global.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O ciclo vicioso dos bons costumes

Fala sério?

Sexy!!!!

Vote em Mim!!!

Todos os dias quando acabo de treinar leio essa frase no muro.
“Sucess is a journy not a destination”
Acabo de cumprir meu dever físico mas não o cívico. Pudera a vida toda reservar as manhãs aos treinos, as tardes aos estudos e as noites ás loucuras. Mas como civil eu preciso votar e ter documentos, pagar impostos e ter o mínimo de bons costumes. Não preciso ter educação. Por isso a corja dos bons costumes se espalha pelos 3 poderes exercendo seu domínio idiota. Eles são incapazes, mas vestem bem. Não formam quadrilhas, mas dinastias. São os representantes do povo, mas prestam contas apenas entre si.
E são todos muito feios.
Como se um rolo compressor tivesse passado pelo congresso nacional num dia de votação de aumento de salário. Um verdadeiro desastre. Creio que se o congresso fosse em sua maioria feminino haveria muito mais cobrança nesse quesito. Fico imaginando que se Brasília fosse freqüentada apenas homens bonitos as coisas seriam bem diferentes. Será que corrupção enfeia ou os feios só conseguem proliferar (em todos os sentidos) se tiverem poder? Assim terminamos com uma questão puramente evolutiva: “puder”. Só o Darwin explica. E esse papo de Darwinismo social é uma onda polemica. Mas terrivelmente pertinente. Esses homens chegam ao topo da cadeia sem nunca terem tido um pensamento autônomo. Deixam essas coisas para os civis e para os políticos que se livraram da feiúra, e proliferam descontroladamente para desespero do Brasil. Não existe mais jornada. Eles já chegaram lá.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sambinha em Laranjeiras

"O samba é saudável" disse uma mulher de argolas gigantes. O marido debochou e deu um gole no seu wisky derretido. Outra mulher entrou no salão esvoaçante, antecipando o verão. Um tiozão esbarrava em mim “sem querer” toda hora. Chamei de ogro. Tava sempre esboçando um sorriso. E a passista com suas alunas suecas brilhando com um jeans tão justo e modelado que poderia sambar sozinho, imagino. As mulheres ao fundo, tem vergonha de chacoalhar os quadris na cara dos músicos que como não estão sobre um palco, se divertem com a vista das outras mulheres que esquecem da vida, da profissão, dos filhos em casa e se sentem gostosas num delicioso exercício de pernas e vaidade. E assim elas se espalham desvairadas pelo salão, abrem e fecham os olhos, ganham a confiança do garçom e tomam uns drinks a mais.

domingo, 23 de agosto de 2009

Á Deriva com Herchcovitch


Eu não queria ir. Passei na frente do cinema, ele piscou pra mim. Não era uma esquina qualquer. Era um investimento moderno que fazia-se parecer antigo, com carpete vermelho, escadas originais de corrimões rococó e cheiro de pipoca. Só faltava mesmo a roleta. Resolvi terminar de tomar o meu suco lendo cartazes.
Á deriva. Acho que sou eu.
Pelo menos é assim que eu fico nas entressafras. Mas tem uma certa disciplina nisso tudo. Eu nado cedo, leio livros conceituais, escrevo muito e ando sem rumo, mania que peguei em São Paulo, onde não há pontos de descanso que não sejam efervescentes.
O cartaz me convidou, era azul, lindo maiô de listrinhas. Novo filme do Dhalia com Alexandre Herchcovitch pilotando o figurino, sou loca por ele! Minha caneca gigante do Mickey caveira, companheira das manhãs folgadas, não me deixa mentir. Conheci aos 14, quando comprei de uma coleção dele na Ellus uma blusa dourada-tranparente com três caveiras desenhadas, que era muito ousada para uma garota. Desde lá somos muito amigos.
Acho que foi a primeira vez que eu entrei pra ver um filme por causa do figurinista, e nos primeiros momentos estava ele lá delineando linhas. Não tinha nenhuma caveira de fato, mas sim um primor pelos ossos, tudo parecia feito com cuidado para destacá-los tocando delicadamente o corpo dos atores, confundindo pele e tecido ao vento. Não só o figurino mas tudo no filme sugere algo anatômico. Seu esqueleto lembra "Limite" de Mario Peixoto, onde uma sensação comanda a história e dirige o publico (ponto pro diretor) o músculo fixa essa estrutura, e assim a história nunca se desvia (ponto para o roteirista) a pele cria forma e embeleza (ponto pra fotografia), o sangue trás o gênio e dá cara a tapa, (ponto pros atores) e por fim Herchcovitch entra em cena, vestindo essa transação intra semiótica.
Aff!!! A essa altura já perdi a capacidade de analise. (ponto para o publico)
Então viajei na aventura de Felipa que lembrava um rito de passagem, cheio de descobertas, sensações aquáticas, belas paisagens e uma certa dose de desespero.
Através das revelações de infidelidade dos pais, Felipa consegue se desvencilhar dos seus próprios tabus e mergulhar na sua própria sexualidade sem tantas idealizações. Outras questões são levantadas, mas não se impõe á mente feito narrativa com porto seguro. Tudo está á deriva, navegando sem rumo certo, como na primeira caneca de café, ou passar na porta do cinema e entrar, ou ter 14 anos. Seja qual for ocasião, a primeira vez, o primeiro wisky, o primeiro Herchcovitch, os momentos á deriva são os que ficam na memória.

sábado, 22 de agosto de 2009

O Muro

Assim como a China, Berlim ou Nova York, o Rio também tem o seu célebre muro. O muro da fama. Apesar de invisível, todas as pessoas no Rio estão em alguma posição em relação ao muro. De um lado os famosos, com festas e fins de semanas Vip's em ilhas de milionários. De outro lado os anônimos, trabalhando e gastando muito dinheiro nas mesmas coisas que os famosos ganham de graça. E finalmente a nossa classe, dos que caminham performáticamente por cima do muro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Um post vagabundo

Entre os heróicos, os românticos e os autruístas eu prefiro os vagabundos.
Os vagabundos confundem a lógica do tempo
São os únicos que na inércia produzem mais do que na ação
Trabalha no banho, trabalha dormindo, trabalha sonhando

Os vagabundos são maquinas de fazer idéias
Quase todas meio erradas, apimentadas
mas nem tudo sai da cabeça

O vagabundo no fundo é um cara que sabe tirar férias das idéias
Não se deixa possuir pelas fixas como os seres comuns
Um fera.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Dom

Sei me sair bem em qualquer situação. Tiro sempre a melhor lição e alguma risada.
Não que não chore nem fique triste.
Choro, sim. De arrancar os cabelos. De sentir o coração em cada uma das extremidades.
O segredo está exatamente os extremos. Onde o sistema fica nervoso. Labirinto de emoções. Aposto alto e posso perder o dobro.
E assim surge um novo amor.
O mais longínquo de todos os destinos da Terra.

domingo, 24 de maio de 2009

Primeiro Contato

Produção.

K.e a peça do colégio:

Mas não tem papel?
Tem. Na produção. Quer dizer de produtora.
Produtora, pode ser.

Tava dentro.

Qual o primeiro passo? O que uma produtora faz?
Pede dinheiro.
Pede dinheiro? Como assim?
O senhor teria um trocado pra ajudar a produzir a peça do colégio...
Tipo pegando as pessoas na rua?

Já fazia isso antes com as amigas, pra comer no mc donald’s. O texto era: O senhor tem uma ficha telefônica ou 10 centavos? Preciso avisar a minha mãe que não vou chegar em casa pro almoço. Mendigagem burguesa. Vivia levando sermão de velhinhas indignadas. Mas o fato é que ainda funcionava melhor do que pedir apoio pra pecinha do colégio.

Você tem que conseguir verba pra imprimir os convites, e comprar pratos e copos descartáveis pra festa da estréia. Importante também, é conseguir apoio do brechó pra os adereços de época.

Mas e o texto? Sobre o que é a peça? Qual é a época?
É sec XVIII, são 8 atores o diretor e 2 contra regras, e o teatro tem 250 lugares. Tem que encher!

Qualquer pergunta só piora.

Mas qual é exatamente a minha função?
Produção.
O que é produção?
Produção é tudo o que necessita ser feito pra que a peça aconteça. TUDO.

Hoje não é muito diferente, só que é profissional. Até a verba, ainda vem do povo.

Acontece que na nossa cena, ninguém quer ser “o cara” responsável por TUDO.
O cara pra “jantar” caso a casa caia.
Poucos compreendem que esse é só mais um papel que o produtor representa. “Cristo”
O produtor improvisa com estilo sobre o orçamento das idéias. As vezes ele tem que ser canastrão, as vezes, deixar transparecer humanidade . Relíquia. Um profissional em extinção.
Então a figura do produtor é ao mesmo tempo inexistente e onipresente. Na sua presença todos se dirigem a ele como um deus errante, meio inimigo, meio divindade. Na sua ausência, todos incorporam um pouco dele em suas funções.
Normal. Num mundo de “atores produtores”, “modelos atrizes apresentadoras de TV”,
“autores músicos e cineastas”, figuras multifuncionais que acumulam cargos e fazem o seu marketing pessoal da maneira que podem, o produtor de carreira realmente tem que sobreviver, ou como bode expiatório, ou como predador.
Não podemos deixar que sumam da face da terra, nem que dominem o planeta.
Salvem os produtores!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sistema Enganoso


Uma coisa sobre o sistema.
Se querem eliminar algo da sociedade, é porque este algo é o ponto fraco do sistema.

Esse objeto é seu?
Sim.
Ela é registrada?
Não.
Onde você conseguiu?
Encontrei. Num velho porão abandonado.
Você sabia que esse é um objeto perigoso?
Depende de quem usa.
Você não está dando as respostas corretas
Me deixe ir embora!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Blue Fairy

Ando fugindo de Sofia. Ela precisa de um final. Sugeriu que a ultima frase do filme fosse " Agora acaba o filme e começa a vida"
" Agora acaba o filme e começa a vida" , LOUCURA! Ela quer se libertar por completo do roteiro e virar gente de verdade. Se comporta como o Pinocchio. E mente com a mesma intensidade. Quem trocaria problemas de um filme com happy end garantido por problemas de verdade?

Será que eu sou algum tipo de Blue Fairy?

terça-feira, 5 de maio de 2009

In love

Horizonte?
Saí de Sampa quase fugida, com a sensação de que tudo aquilo era um cenário imaginário, violentando minha calma, influenciando os meus nervos, distraindo minha grana. Larguei casa, família, namorado, emprego promissor, tudo na cidade que um dia, despertou todos os meus sentidos.
Houve uma época que eu andava pela rua sem rumo, conhecia cada beco do meu bairro. Falava com malucos, contadores de história, andava de madrugada nas ruas e vivia fazendo novas descobertas. Ficava horas sentada na calçada com a minha amiga mais espirituosa, sendo mal falada e falando de todos os lugares que eu desejava ir um dia.
Quinta de manhã voltei para a cidade com um objetivo, fazer imagens. Imagens que identifiquem São Paulo.
Não era fácil pra mim ficar no obvio. Eu queria captar sensações. Comecei fazendo enquadramentos estranhos nos “cartões postais”e aos poucos foi crescendo a vontade de filmar tudo, tudo o que aquela cidade já me ofereceu de mais inspirado e antagônico. Foram 3 dias, onde a cidade não obedecia seu ritmo insano, abençoada por um feriado mais do que oportuno. Impossível filmar tudo mas o improvável aconteceu, e a paulistana que desertou em busca de novas paixões, subitamente se apaixonou por sua cidade natal.
Aquilo era tão parte de mim que eu nem sabia que existia. Aquilo era tão eu, que eu nem sabia que amava. Pela primeira vez entendi a sensação da “saudosa maloca" e a cidade fez sentido, mesmo parecendo mais non sense do que nunca. Será que apaixonar é isso? É contemplar de dentro tudo o que está fora e achar lindo? É descobrir nos sonhos, que se está sonhando e não acordar? É injetar adrenalina na veia e captar apenas a máxima freqüência de tudo?
É ver pela primeira vez e entender que sempre se esteve lá.
Adaptada ao meu estilo de vida carioca, muito carisma e pouca roupa, não consegui me ver definitivamente de volta.
Mas a cidade ainda guarda sobre mim, segredos que eu pensava já ter desvendado.

sábado, 4 de abril de 2009

Desfuncionalizando


Sofia disse assim:

(Sofia é minha personagem e as vezes, minha amiga imaginária)

Eu não me imagino velha! Será que isso é um sinal que eu posso morrer a qualquer momento?

Sofia diz coisas sem pensar. Coisas que eu não penso. Coisas de matar.

Ela fica divagando enquanto os meninos que moram comigo estudam pra serem engenheiros e pensam que a gente não faz nada o dia inteiro.

I guess life experience is out of there plans. They enjoy being tourists in this city, and in there own bodies as well, most of the time.

Ser turista é o oposto de interajir. É não fazer parte daquilo, simplesmente por pertencer áquilo outro.

Sofia você é uma alienígena. Nem sequer tem um corpo, como pode morrer?

Os meninos têm corpos e não sabem o que fazer com suas mentes.

Quem sabe um dia venderão suas idéias? Quem sabe sejam caras, ou raras?

E quanto a mim?

Produzirei algo vendável?

Me ajuda Marcel Duchamp. Como desfuncionalizar Sofia?
...e fazer o meu primeiro milhão!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Amigas

Sempre tive grandes amigas. Que uma mulher aventureira tenha amigos é comum, eu acho. Mas ter amigas, é realmente uma dádiva. A maioria das mulheres foram educadas pra serem concorrentes, mais bonitas, mais felizes, mais ricas, melhores umas que as outras. Considero isso um machismo deslocado. Os machos em si, sabem muito bem como valorizar suas amizades.
As mulheres carregam em si uma arma que se não for bem usada, derruba todas as suas amizades. A sedução. Por isso as que não aprendem a mirar no alvo são perigosas porque saem dando tiro para todos os lados. Frases antigas indicam que mulher é amiga até aparecer um homem no meio. Certo? Certo, mas questionável entre amigas. Pelo menos as minhas.
Certa vez iniciei uma longa amizade assim. Éramos colegas e faltava um “start”, pra virarmos amigas. Aí apareceu esse Kurt, lindo e loiro de olhos penetrantes, coisa rara. Ele não sabia qual das duas queria mais. Então ela disse o que eu menos esperava ouvir naquele momento.” Olha, ele é bonito, mas não vamos brigar por causa de homem?” Seu desprendimento me rendeu muito mais frutos do que aquele cara poderia me oferecer em toda uma vida.
Outra vez, uma amiga das antigas me ensinou como se faz quando se vai conhecer o namorado de uma amiga pela primeira vez. Suas palavras foram: “Você senta de frente pra ele, e se estiver de calças, de preferência de pernas abetas. Nada de cruzar muito as pernas e nem pensar em olhar nos olhos por mais de cinco segundos. Aja com natural descompostura. A primeira oportunidade que der você solta um palavrão. E nunca esqueça de chamar ele de mano, cara, bicho, além de perguntar o nome dele mais de uma vez”. Sabe porque ela disse isso? Porque a maioria dos casos o amor proibido nasce da primeira impressão. Por mais segura que uma mulher seja, ela não quer ver uma amiga fazendo “tipo”para sua recente aquisição.
Uma vez eu fiquei em cartaz, e todas as atrizes da peça, que nem eram necessariamente amigas, tinham um jeito muito curioso pra não atravessar uma a outra. Simples. Quando aparecia um sujeito interessante, a interessada perguntava: “Esse tá na roda?”. Estar na roda significava que qualquer uma podia investir nele, concorrência leal. Não estar na roda significava que uma de nós tinha algum envolvimento sentimental, tipo namorado, pretendente, ex, enfim não importava. Este provavelmente, se sentiria rejeitado por todas as demais. E o melhor, sem entender nada. Bingo!
Vou parar porque estou partindo para um caminho muito psicanalítico. O que eu queria aqui era apenas relembrar e agradecer minhas amigas de ontem, de agora e de sempre. Não tenho tido muitos problemas com elas. Minha última briga passional, veio de um amigo do sexo masculino.
Espero que mesmo casadas ou não, com filhos, sem filhos, a gente ainda possa desfrutar de bons momentos juntas na cumplicidade verdadeira do feminino. E que saibam que tenho muito orgulho de ter entre minhas amigas, guerreiras, fadas, atrizes natas, mães, desbravadoras, aventureiras, buscadoras, mulheres tão belas, por dentro e por fora!

domingo, 29 de março de 2009

A Morena do Bar Brahma

A morena exibida do bar Brahma
Vive fugindo da cama dos velhos tarados
Mas tem um gigolô que a ama
Derrubando seus sonhos
Odiando suas roupas
Sedento por carinho
Valentão inofensivo
Desprezível e gostosão
Os dois são o modelo do casal humano
Briguentos, incompreendidos, impossíveis de viver em paz
Ela sorri a toa para os que passam
É simpática pra lembrar que é bonita
Ele somente não sabe amar, somente
Pobre homem o valentão
Eles têm um ao outro
Um ao outro
Isso é bom.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Help me

Ontem, meus amigos resolveram “se divertir pra valer”
( não sei porque, minhas piores noites sempre começaram com esse jargão), o que significa que fui parar na Help, um clube trash na avenida atlântica, que provavelmente deve ter sido pop em algum momento dos anos 70. Eu queria ir pro Bucowski em Botafogo, com som de primeira e destilado duplo, mas éramos em 12, difíceis de organizar e além do mais a proposta era “Se divertir pra valer”.

Inferninhos até que me atraem, incitam minha imaginação doentia. Amigos querendo “se divertir pra valer”são engraçados, ainda mais quando totalmente fora de contexto. Mas a decadência de si mesma tentando inutilmente interagir com um ambiente, isso faz tudo parecer caro demais.

O que estava me incomodando de fato não era o cheiro de formol no ar, a falta de álcool no sangue, o excesso de mulheres no ambiente, os 30 paus que eu deixei na porta ou os gringos “corcundas de Notredame” vagando sem sex appeal. Era o meu próprio inferno particular onde fui atirada de cara no momento em que me deixei cercar por aquelas paredes.

Então a solução foi criar um exercício de mentalização às avessas, me deleitando com tudo que mais me incomodava na vida. Aquele DJ era o mais imediato. Depois veio as filas, o trânsito, as touradas, os comerciais de loja de departamento, a burocracia.... a corja do mensalão, dos sangue suga, dos coronéis nepotistas...as opiniões da igreja, o falso moralismo de esquerda, as ONG’s glutonas, o voto obrigatório, a imunidade parlamentar...os jovens excêntricos, os velhos jocosos, as celebridades vazias, os surfistas faladores...os que amam demais, os que reclamam demais, os que deixam claro que estão pedindo esmola mas poderiam estar te assaltando, os que vendem poesia em boteco...papo de depressão alheia, minhas unhas sujas, seqüência de dias sem sol e enfim.... as noites em que se sai com o intuito de “se divertir pra valer”.

Dei uma ultima olhada no ambiente, senti meio segundo de saudade e me despedi com a prazerosa consciência de nunca mais voltar.
Saí com a estranha sensação de que não fui eu que não gostei do lugar, foi o lugar que não gostou de mim. Só a Umbanda explica.

terça-feira, 10 de março de 2009

Procura-se Silver desesperadamente!

Comecei procurando- a no Orkut
Eu a chamava de Silver, Silver girl.
Tínhamos 14, 15 anos e fizemos algo muito errado. Fomos separadas.

Ela era boliviana, maldosa e petulante. Eu brasileira, egoísta e espaçosa. As duas costumavam incomodar. Principalmente uma a outra. Ela ariana, cursava biológicas. Eu escorpiana, humanas. Agente tinha o mesmo herói, o mesmo jeans rasgado, o mesmo gosto pelo bom e velho grunge de Seattle. Juntas, elevávamos o mundo a um grau de filosofia que simplesmente ultrapassava as paredes do colégio.
Éramos heroínas de um tempo sem causas e apesar da maquiagem matutina, do estilo “incorrigível”, dos palavrões fora de hora, acho que não conseguíamos expressar mesmo em aparência o ímpeto que nos consumia.

Foi um choque me separar dessa garota. Ainda me lembro do dia em que atravessamos a rua, uma para cada lado, deixando no meio um buraco negro que supostamente, deveria absorver todas as lembranças. Eu era a responsável pela sua partida forçada e ela era responsável pela minha primeira dor de separação.

Passei ao Google, eu lembrava seu sobrenome. Salazar. Se ela for como eu não vai se deixar ser encontrada, penso. E não mesmo. Nada de facebooks, nada de myspaces. Eis que encontro uma com o mesmo nome Salazar. Vocalista da banda Bichinha arrumadinha, esquece. Uma pessoa pode se transformar, mas nem tanto. Agente sabe disso quando conhece alguém bem no íntimo.

Eis que sonhávamos, sonhávamos, sonhávamos muito. Esse era o nosso jeito de não viver o presente. Sim, porque pra nós todas as pessoas eram medíocres e todos os cérebros insuficientes desde que nos encontramos. Tirávamos onda de cada pobre ser que se arriscava em conversar conosco na hora do intervalo, e apesar do desejo de ter um homem, nenhum babaca à vista poderia suprir nossas exigências virginais. Só nos sonhos é que fazíamos sexo selvagem com deuses que a imaginação nos servia. Contávamos sempre uma pra outra os prazeres imaginados com total riqueza de detalhes.

Na verdade tinha só uma pessoa que conseguia conversar com agente, porque essa falava a língua dos sonhos. Era Daniela. Uma hippie-japa mega inteligente que tinha bolsa de estudos e não era muito limpa. Essa sim chocava mauricinhos e patricinhas espontaneamente. Eu a protegia de quem quer que fosse que falasse uma palavra de preconceito contra ela. Certa vez a Daniela foi ao Paraguai e trouxe 3 kg de maconha de lá. Sem conseguir dar conta de vender, me passou 1 kg por cem paus e esse foi o início do fim dos tempos do sonho prateado. A muito que pais, amigos e professores pretendiam separar as duas garotas insuportáveis, pois afinal, não era saudável uma relação tão isolada, tão fora da realidade.

Fizemos um esquema e começamos a vender. Logo consegui os cem paus investidos e coloquei de volta na carteira do meu pai. O resto foi lucro pra Cassy e Silver. Cinemas, cafés, restaurante japonês, maquiagem, songbooks, internet, balada e muitos cd’s, enfim, tudo o que era muito difícil de se ter na época. De noite pesava, empacotava, de dia passava a erva pra todos os nossos “incapazes de plantão”. Consumíamos á vontade no banheiro do colégio, e não demorou muito até sermos pegas. Até porque não era segredo o fato de estarmos vendendo. Agente não se preocupou em esconder já que não era um trabalho, e sim uma diversão.

E assim começou e terminou minha aventura como traficante (minha porque ela só foi no fluxo) e junto a nossa linda amizade perigosa. Eles diziam que sim, agente dizia que não, mas o fato é que a casa caiu e a mãe da Silver decidiu mandar ela de volta pra Bolívia, pra se “regenerar” em um colégio católico. E agente se despediu sem lágrimas ou culpas, apenas com poesias e de cabeça erguida, como se a situação fosse temporária mas agente mesmo em si, fosse eterna.

Trocamos muitas cartas e durante muito tempo continuamos nos alimentando do sonho da outra. Trago uma comigo, como um documento importante, que no final, diz assim:

“....as portas e as janelas estão abertas, e somos alvos perfeitos, guerreamos mas lutamos contra a guerra, não gostamos das pessoas mas amamos os animais, não gostamos do certo mas entendemos o errado, as pessoas se dividem e se matam por nada, nós não precisamos prezar aquilo que elas prezam, nós somos aquela bela arvore de belas flores amarelas, porque o que nos leva não é apenas curtição, é algo que nunca morre, porque somos sensíveis pra entender o forte, nós não somos escola, somos vida, somos rock, somos sexo, somos brilho, somos aquela vontade de viver fascinada pela morte, somos NIRVANA.”.

C.S o poder já é nosso.

Ah, no fim encontrei Silver na internet. Em um site de Au pairs. Acho que essa foi a forma que ela encontrou de conhecer o mundo expandir seu amor pra todos os lados, cuidando de crianças. Tenho que pagar 50 euros mensais se quiser tentar fazer contato com ela, mas pelo menos pude ver o seu sorriso atualizado, e saber que está viva e vivendo seu sonho da melhor maneira possível. Nem eu nem ela nos tornamos líderes de uma banda de punk rock mas nossa energia continua pura, intacta e guerreira.

Hey Iow Silver!!!!!

Agente estava certa
O mundo é de quem realmente o deseja, o com todas as forças.
Thanx for all!!!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mitologia de butequim

Nao estou bêbada, mas de consciência alterada
Babada, imprevisível
Sou uma parteira da arte, entristeço com a vida
Depois canto, danço, me sinto um pouco mais... me deixo ir ao submundo pra voltar intacta e imprestável
pensando se aquela máscara me coube bem
Nao sou nascente nem poente
sou meio sem fins
Em fim, algo além de mim
antes disso não
fora a espera, o resto é vida
Vivo no viveiro da perdição
Escapo, depois volto por comida

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sex and the Sea

O Rio é a cidade dos homens. Aqui eles fazem o que querem, não há quem conteste isso. Apesar dos belos corpos femininos exibidos na praia como o diabo gosta, aqui” boys rules”. São bonitos, rasgados, cheios de sex appeal, São abusados, convencidos e deixam as mulheres loucas. Esse são os meninos do Rio. Se você é uma mulher bonita poderosa e caçadora “in Rio”, vai ter que se habituar com isso.
Morando aqui a 9 meses, entre atrizes, produtoras, gringos e meninos do Rio, fiz ontem durante uma premiére cheia de flashes o meu primeiro balanço.

Eu tinha conhecido alguns homens encantadores, mas não o suficiente. Eu tinha tido noites incríveis, as melhores sozinha, curtindo com os amigos. Eu tinha fugido de alguns deuses do sexo dos quais toda “republica livre de Ipanema” conhecia o tamanho do pau. Eu tinha dado estrela, bêbada de mini saia. Eu não tinha “pegado” nenhum menino do Rio do Caetano, ainda.

E eu tinha um vizinho na janela da frente baterista, super gostoso que me consolava de cuecas quando eu chegava em casa sozinha e ficava na varanda de calcinha. E além do mais, eu estava solteira e feliz, com uma carência que se resolvia enquanto escrevia essas linhas.

Tive medo do resultado desse balanço. Depois que tudo isso me passou pela cabeça em apenas um flash da premiere, eu peguei um taxi e rodei a cidade dos sonhos. Voltei pra fase de buscar saber o que eu realmente quero. Eu sou uma roteirista original, em busca de uma e história, e eu fujo dos homens lindos, dos canalhas bem sucedidos e dos maridos perfeitos! O que há de errado comigo?

Sou uma mulher brasileira e sonhadora, e quero amar o meu corpo e quem o toca, e não apenas fazer conquistas. E pra isso é preciso fazer conexões especiais. Não é fácil fazer conexões especiais, é preciso saber muito bem o que se quer. Pra poder fazer acertos é preciso ser impecável com o próprio estilo de vida. A presa só percebe a águia, quando ta presa no bico, apesar da águia já ter escolhido a muito tempo o seu jantar.
Eu nunca usei essas técnicas, mas vou começar usar. Cansei de falsos garanhões, homens fáceis ou complexos demais. Quero magia. E a magia dessa cidade, é o mar!
Não é tão ruim ficar solteira enquanto se tem a companhia do mar!!!




sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Noite:


Uma jovem toca a campainha numa casa de bairro, pele branca, cabelos escuros de corte reto, franja, atende uma senhora jovem porém mau arrumada, corpo raquítico, Dona Ana.
A moça vigorosamente:
- Tem hóstia?
Dona Ana
- Das boas.
As duas entram. No meio da noite a vizinhança escuta risadas altas.