quarta-feira, 1 de abril de 2009

Amigas

Sempre tive grandes amigas. Que uma mulher aventureira tenha amigos é comum, eu acho. Mas ter amigas, é realmente uma dádiva. A maioria das mulheres foram educadas pra serem concorrentes, mais bonitas, mais felizes, mais ricas, melhores umas que as outras. Considero isso um machismo deslocado. Os machos em si, sabem muito bem como valorizar suas amizades.
As mulheres carregam em si uma arma que se não for bem usada, derruba todas as suas amizades. A sedução. Por isso as que não aprendem a mirar no alvo são perigosas porque saem dando tiro para todos os lados. Frases antigas indicam que mulher é amiga até aparecer um homem no meio. Certo? Certo, mas questionável entre amigas. Pelo menos as minhas.
Certa vez iniciei uma longa amizade assim. Éramos colegas e faltava um “start”, pra virarmos amigas. Aí apareceu esse Kurt, lindo e loiro de olhos penetrantes, coisa rara. Ele não sabia qual das duas queria mais. Então ela disse o que eu menos esperava ouvir naquele momento.” Olha, ele é bonito, mas não vamos brigar por causa de homem?” Seu desprendimento me rendeu muito mais frutos do que aquele cara poderia me oferecer em toda uma vida.
Outra vez, uma amiga das antigas me ensinou como se faz quando se vai conhecer o namorado de uma amiga pela primeira vez. Suas palavras foram: “Você senta de frente pra ele, e se estiver de calças, de preferência de pernas abetas. Nada de cruzar muito as pernas e nem pensar em olhar nos olhos por mais de cinco segundos. Aja com natural descompostura. A primeira oportunidade que der você solta um palavrão. E nunca esqueça de chamar ele de mano, cara, bicho, além de perguntar o nome dele mais de uma vez”. Sabe porque ela disse isso? Porque a maioria dos casos o amor proibido nasce da primeira impressão. Por mais segura que uma mulher seja, ela não quer ver uma amiga fazendo “tipo”para sua recente aquisição.
Uma vez eu fiquei em cartaz, e todas as atrizes da peça, que nem eram necessariamente amigas, tinham um jeito muito curioso pra não atravessar uma a outra. Simples. Quando aparecia um sujeito interessante, a interessada perguntava: “Esse tá na roda?”. Estar na roda significava que qualquer uma podia investir nele, concorrência leal. Não estar na roda significava que uma de nós tinha algum envolvimento sentimental, tipo namorado, pretendente, ex, enfim não importava. Este provavelmente, se sentiria rejeitado por todas as demais. E o melhor, sem entender nada. Bingo!
Vou parar porque estou partindo para um caminho muito psicanalítico. O que eu queria aqui era apenas relembrar e agradecer minhas amigas de ontem, de agora e de sempre. Não tenho tido muitos problemas com elas. Minha última briga passional, veio de um amigo do sexo masculino.
Espero que mesmo casadas ou não, com filhos, sem filhos, a gente ainda possa desfrutar de bons momentos juntas na cumplicidade verdadeira do feminino. E que saibam que tenho muito orgulho de ter entre minhas amigas, guerreiras, fadas, atrizes natas, mães, desbravadoras, aventureiras, buscadoras, mulheres tão belas, por dentro e por fora!

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