"O samba é saudável" disse uma mulher de argolas gigantes. O marido debochou e deu um gole no seu wisky derretido. Outra mulher entrou no salão esvoaçante, antecipando o verão. Um tiozão esbarrava em mim “sem querer” toda hora. Chamei de ogro. Tava sempre esboçando um sorriso. E a passista com suas alunas suecas brilhando com um jeans tão justo e modelado que poderia sambar sozinho, imagino. As mulheres ao fundo, tem vergonha de chacoalhar os quadris na cara dos músicos que como não estão sobre um palco, se divertem com a vista das outras mulheres que esquecem da vida, da profissão, dos filhos em casa e se sentem gostosas num delicioso exercício de pernas e vaidade. E assim elas se espalham desvairadas pelo salão, abrem e fecham os olhos, ganham a confiança do garçom e tomam uns drinks a mais.
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Há 9 anos
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