sexta-feira, 29 de maio de 2009

Dom

Sei me sair bem em qualquer situação. Tiro sempre a melhor lição e alguma risada.
Não que não chore nem fique triste.
Choro, sim. De arrancar os cabelos. De sentir o coração em cada uma das extremidades.
O segredo está exatamente os extremos. Onde o sistema fica nervoso. Labirinto de emoções. Aposto alto e posso perder o dobro.
E assim surge um novo amor.
O mais longínquo de todos os destinos da Terra.

domingo, 24 de maio de 2009

Primeiro Contato

Produção.

K.e a peça do colégio:

Mas não tem papel?
Tem. Na produção. Quer dizer de produtora.
Produtora, pode ser.

Tava dentro.

Qual o primeiro passo? O que uma produtora faz?
Pede dinheiro.
Pede dinheiro? Como assim?
O senhor teria um trocado pra ajudar a produzir a peça do colégio...
Tipo pegando as pessoas na rua?

Já fazia isso antes com as amigas, pra comer no mc donald’s. O texto era: O senhor tem uma ficha telefônica ou 10 centavos? Preciso avisar a minha mãe que não vou chegar em casa pro almoço. Mendigagem burguesa. Vivia levando sermão de velhinhas indignadas. Mas o fato é que ainda funcionava melhor do que pedir apoio pra pecinha do colégio.

Você tem que conseguir verba pra imprimir os convites, e comprar pratos e copos descartáveis pra festa da estréia. Importante também, é conseguir apoio do brechó pra os adereços de época.

Mas e o texto? Sobre o que é a peça? Qual é a época?
É sec XVIII, são 8 atores o diretor e 2 contra regras, e o teatro tem 250 lugares. Tem que encher!

Qualquer pergunta só piora.

Mas qual é exatamente a minha função?
Produção.
O que é produção?
Produção é tudo o que necessita ser feito pra que a peça aconteça. TUDO.

Hoje não é muito diferente, só que é profissional. Até a verba, ainda vem do povo.

Acontece que na nossa cena, ninguém quer ser “o cara” responsável por TUDO.
O cara pra “jantar” caso a casa caia.
Poucos compreendem que esse é só mais um papel que o produtor representa. “Cristo”
O produtor improvisa com estilo sobre o orçamento das idéias. As vezes ele tem que ser canastrão, as vezes, deixar transparecer humanidade . Relíquia. Um profissional em extinção.
Então a figura do produtor é ao mesmo tempo inexistente e onipresente. Na sua presença todos se dirigem a ele como um deus errante, meio inimigo, meio divindade. Na sua ausência, todos incorporam um pouco dele em suas funções.
Normal. Num mundo de “atores produtores”, “modelos atrizes apresentadoras de TV”,
“autores músicos e cineastas”, figuras multifuncionais que acumulam cargos e fazem o seu marketing pessoal da maneira que podem, o produtor de carreira realmente tem que sobreviver, ou como bode expiatório, ou como predador.
Não podemos deixar que sumam da face da terra, nem que dominem o planeta.
Salvem os produtores!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sistema Enganoso


Uma coisa sobre o sistema.
Se querem eliminar algo da sociedade, é porque este algo é o ponto fraco do sistema.

Esse objeto é seu?
Sim.
Ela é registrada?
Não.
Onde você conseguiu?
Encontrei. Num velho porão abandonado.
Você sabia que esse é um objeto perigoso?
Depende de quem usa.
Você não está dando as respostas corretas
Me deixe ir embora!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Blue Fairy

Ando fugindo de Sofia. Ela precisa de um final. Sugeriu que a ultima frase do filme fosse " Agora acaba o filme e começa a vida"
" Agora acaba o filme e começa a vida" , LOUCURA! Ela quer se libertar por completo do roteiro e virar gente de verdade. Se comporta como o Pinocchio. E mente com a mesma intensidade. Quem trocaria problemas de um filme com happy end garantido por problemas de verdade?

Será que eu sou algum tipo de Blue Fairy?

terça-feira, 5 de maio de 2009

In love

Horizonte?
Saí de Sampa quase fugida, com a sensação de que tudo aquilo era um cenário imaginário, violentando minha calma, influenciando os meus nervos, distraindo minha grana. Larguei casa, família, namorado, emprego promissor, tudo na cidade que um dia, despertou todos os meus sentidos.
Houve uma época que eu andava pela rua sem rumo, conhecia cada beco do meu bairro. Falava com malucos, contadores de história, andava de madrugada nas ruas e vivia fazendo novas descobertas. Ficava horas sentada na calçada com a minha amiga mais espirituosa, sendo mal falada e falando de todos os lugares que eu desejava ir um dia.
Quinta de manhã voltei para a cidade com um objetivo, fazer imagens. Imagens que identifiquem São Paulo.
Não era fácil pra mim ficar no obvio. Eu queria captar sensações. Comecei fazendo enquadramentos estranhos nos “cartões postais”e aos poucos foi crescendo a vontade de filmar tudo, tudo o que aquela cidade já me ofereceu de mais inspirado e antagônico. Foram 3 dias, onde a cidade não obedecia seu ritmo insano, abençoada por um feriado mais do que oportuno. Impossível filmar tudo mas o improvável aconteceu, e a paulistana que desertou em busca de novas paixões, subitamente se apaixonou por sua cidade natal.
Aquilo era tão parte de mim que eu nem sabia que existia. Aquilo era tão eu, que eu nem sabia que amava. Pela primeira vez entendi a sensação da “saudosa maloca" e a cidade fez sentido, mesmo parecendo mais non sense do que nunca. Será que apaixonar é isso? É contemplar de dentro tudo o que está fora e achar lindo? É descobrir nos sonhos, que se está sonhando e não acordar? É injetar adrenalina na veia e captar apenas a máxima freqüência de tudo?
É ver pela primeira vez e entender que sempre se esteve lá.
Adaptada ao meu estilo de vida carioca, muito carisma e pouca roupa, não consegui me ver definitivamente de volta.
Mas a cidade ainda guarda sobre mim, segredos que eu pensava já ter desvendado.