quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O ciclo vicioso dos bons costumes

Fala sério?

Sexy!!!!

Vote em Mim!!!

Todos os dias quando acabo de treinar leio essa frase no muro.
“Sucess is a journy not a destination”
Acabo de cumprir meu dever físico mas não o cívico. Pudera a vida toda reservar as manhãs aos treinos, as tardes aos estudos e as noites ás loucuras. Mas como civil eu preciso votar e ter documentos, pagar impostos e ter o mínimo de bons costumes. Não preciso ter educação. Por isso a corja dos bons costumes se espalha pelos 3 poderes exercendo seu domínio idiota. Eles são incapazes, mas vestem bem. Não formam quadrilhas, mas dinastias. São os representantes do povo, mas prestam contas apenas entre si.
E são todos muito feios.
Como se um rolo compressor tivesse passado pelo congresso nacional num dia de votação de aumento de salário. Um verdadeiro desastre. Creio que se o congresso fosse em sua maioria feminino haveria muito mais cobrança nesse quesito. Fico imaginando que se Brasília fosse freqüentada apenas homens bonitos as coisas seriam bem diferentes. Será que corrupção enfeia ou os feios só conseguem proliferar (em todos os sentidos) se tiverem poder? Assim terminamos com uma questão puramente evolutiva: “puder”. Só o Darwin explica. E esse papo de Darwinismo social é uma onda polemica. Mas terrivelmente pertinente. Esses homens chegam ao topo da cadeia sem nunca terem tido um pensamento autônomo. Deixam essas coisas para os civis e para os políticos que se livraram da feiúra, e proliferam descontroladamente para desespero do Brasil. Não existe mais jornada. Eles já chegaram lá.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sambinha em Laranjeiras

"O samba é saudável" disse uma mulher de argolas gigantes. O marido debochou e deu um gole no seu wisky derretido. Outra mulher entrou no salão esvoaçante, antecipando o verão. Um tiozão esbarrava em mim “sem querer” toda hora. Chamei de ogro. Tava sempre esboçando um sorriso. E a passista com suas alunas suecas brilhando com um jeans tão justo e modelado que poderia sambar sozinho, imagino. As mulheres ao fundo, tem vergonha de chacoalhar os quadris na cara dos músicos que como não estão sobre um palco, se divertem com a vista das outras mulheres que esquecem da vida, da profissão, dos filhos em casa e se sentem gostosas num delicioso exercício de pernas e vaidade. E assim elas se espalham desvairadas pelo salão, abrem e fecham os olhos, ganham a confiança do garçom e tomam uns drinks a mais.

domingo, 23 de agosto de 2009

Á Deriva com Herchcovitch


Eu não queria ir. Passei na frente do cinema, ele piscou pra mim. Não era uma esquina qualquer. Era um investimento moderno que fazia-se parecer antigo, com carpete vermelho, escadas originais de corrimões rococó e cheiro de pipoca. Só faltava mesmo a roleta. Resolvi terminar de tomar o meu suco lendo cartazes.
Á deriva. Acho que sou eu.
Pelo menos é assim que eu fico nas entressafras. Mas tem uma certa disciplina nisso tudo. Eu nado cedo, leio livros conceituais, escrevo muito e ando sem rumo, mania que peguei em São Paulo, onde não há pontos de descanso que não sejam efervescentes.
O cartaz me convidou, era azul, lindo maiô de listrinhas. Novo filme do Dhalia com Alexandre Herchcovitch pilotando o figurino, sou loca por ele! Minha caneca gigante do Mickey caveira, companheira das manhãs folgadas, não me deixa mentir. Conheci aos 14, quando comprei de uma coleção dele na Ellus uma blusa dourada-tranparente com três caveiras desenhadas, que era muito ousada para uma garota. Desde lá somos muito amigos.
Acho que foi a primeira vez que eu entrei pra ver um filme por causa do figurinista, e nos primeiros momentos estava ele lá delineando linhas. Não tinha nenhuma caveira de fato, mas sim um primor pelos ossos, tudo parecia feito com cuidado para destacá-los tocando delicadamente o corpo dos atores, confundindo pele e tecido ao vento. Não só o figurino mas tudo no filme sugere algo anatômico. Seu esqueleto lembra "Limite" de Mario Peixoto, onde uma sensação comanda a história e dirige o publico (ponto pro diretor) o músculo fixa essa estrutura, e assim a história nunca se desvia (ponto para o roteirista) a pele cria forma e embeleza (ponto pra fotografia), o sangue trás o gênio e dá cara a tapa, (ponto pros atores) e por fim Herchcovitch entra em cena, vestindo essa transação intra semiótica.
Aff!!! A essa altura já perdi a capacidade de analise. (ponto para o publico)
Então viajei na aventura de Felipa que lembrava um rito de passagem, cheio de descobertas, sensações aquáticas, belas paisagens e uma certa dose de desespero.
Através das revelações de infidelidade dos pais, Felipa consegue se desvencilhar dos seus próprios tabus e mergulhar na sua própria sexualidade sem tantas idealizações. Outras questões são levantadas, mas não se impõe á mente feito narrativa com porto seguro. Tudo está á deriva, navegando sem rumo certo, como na primeira caneca de café, ou passar na porta do cinema e entrar, ou ter 14 anos. Seja qual for ocasião, a primeira vez, o primeiro wisky, o primeiro Herchcovitch, os momentos á deriva são os que ficam na memória.

sábado, 22 de agosto de 2009

O Muro

Assim como a China, Berlim ou Nova York, o Rio também tem o seu célebre muro. O muro da fama. Apesar de invisível, todas as pessoas no Rio estão em alguma posição em relação ao muro. De um lado os famosos, com festas e fins de semanas Vip's em ilhas de milionários. De outro lado os anônimos, trabalhando e gastando muito dinheiro nas mesmas coisas que os famosos ganham de graça. E finalmente a nossa classe, dos que caminham performáticamente por cima do muro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Um post vagabundo

Entre os heróicos, os românticos e os autruístas eu prefiro os vagabundos.
Os vagabundos confundem a lógica do tempo
São os únicos que na inércia produzem mais do que na ação
Trabalha no banho, trabalha dormindo, trabalha sonhando

Os vagabundos são maquinas de fazer idéias
Quase todas meio erradas, apimentadas
mas nem tudo sai da cabeça

O vagabundo no fundo é um cara que sabe tirar férias das idéias
Não se deixa possuir pelas fixas como os seres comuns
Um fera.