quarta-feira, 18 de abril de 2012
Peru
Derrepente um amor, intenso e desinteressado. Seguido de uma guerra dessas que fazem de vitimas os soldados. E os elementos da catástrofe: uma noite mal dormida, uma recaída e uma garrafa de vinho branco. Ahhh... e uma pancada de insensatez. Não sei porque sempre duvidei do sentido dessa palavra.
Acordo com uma dor de cabeça, uma passagem comprada e no mínimo 3 e-mails disparados para pessoas do meu convívio, caracterizando uma verdadeira ressaca moral.
Será que foram lidos? Ou pior, ignorados? Preferia até que fossem excluídos a vagarem esquecidos pelas caixas de correio, como prova sdo meu mal comportamento, registro da minha tormenta e do pior “tudo o que sou”.
Da mensagem, desisti, mas eu mesma já estou no lixo. Abaixo de mim só mesmo o Japão, já na outra superfície terrestre.
Rompi com tudo, transbordei a minha verdade e onde fui parar? No underground da miséria, sem ar e cheia de desejo, com meu rabo queimando e ainda assim, sem avistar a merda do Japão. Foi quando tudo desabou, salvo é claro, a minha sorridente insensatez.
Afinal, posso ter me queimado aos quatro cantos, mas tenho uma passagem, ainda que irresponsavelmente comprada, direto para o umbigo do mundo.
Pouco a pouco, as coisas foram se animando por si mesmas, sem a minha opinião e desprezando a minha tristeza, se armaram contra mim.
Rendida, restou fazer as malas e partir.
Não que eu acredite na força das coisas inanimadas. Talvez tanto quanto acredito que o Japão esteja abaixo dos meus pés. Mas sempre que desacredito do absurdo, me vem essa lucidez de que abaixo dos meus pés existe um núcleo febril que permite que eu seja tocada todos os dias pela fúria do Sol sem me ferir. E que esse jogo honesto de extremos é o que mais se aproxima do sentimento que derrepente, é amor.
Pois digo que não desejo uma vida de gloria sem ser tocada pelo sol. Tudo o que eu quero é uma ter uma boa história, cheia de mistério, som e fúria. Que tenha muito de tudo o que ainda não sei, que seja constante no exercício de imaginar o que tem além de mim, que tenha presente o enigma do prazer e que seja deliciosamente contada por qualquer poeta nobre que arrisque se perder. Essa é a minha história, aquela que tem a ousadia de atravessar até o outro lado do mundo e incomodar, encantar e porque não, entreter.
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Você Dirige - Mostra de Pilotos brasileiros
Apresentação e produção executiva: Lara VelhoPauta: Rodrigo Fonseca
Edição: Dunia Quiroga
Edição de som: Bernardo Uzeda
Fotogtafia: Erica Rocha
Direção : Cassia Bianco
Thanks to : Jordan Noel, Rafael Janarelli, Carlos de Abreu Filho, Fogueira e Rita, Bia Castro, Neila Tavares, Betto Guaracyaba, Roberto Riva.
É noixxxx!!!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Blogar não é preciso

Meu último post aqui falava sobre temporalidade. Algum tempo se passou. Descobri por insistência que eu nao faço blogs dinâmicos para insônes e maniacos como meu amigo Fernando Maatz, blogueiro casca grossa, meu grande incentivador na modalidade e um fera nesse quisito de fazer girar, tanto que ele pra mim, é ele + o seu duplo, um que fala comigo na mesa do bar e outro que escreve no meu doce humbigo sujo, o amo como duas pessoas totalmente diferentes.(Será que ele vai ficar puto de eu estar falando assim dele?)Enfim, eu sou daquelas preguiçosas que não querem rotulo de escritora mas que se deixa rotular de mil e uma coisas sem se importar, simplesmente pra não ser sempre a mesma.
Dos rótulos até hoje o que mais mexe com as minhas fantasias é o de aventureira.
Que delícia!!!!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Temporalidade

Como se vive mais?
Vivendo ou não cada paixão?
Quando não sofro sinto tão superior
Que a montanha russa simplesmente perde a graça
Nada mais importa só a temporalidade
Me apavoro
O que vem depois?
Depois que o tempo passar pela porteira...
Soltar os cachorros
Bagunçar os cabelos
Será que caberemos no vácuo
Com todas as nossas idéias e sonhos...
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O Brasil e a Não Violência

Quando a sociedade vai perceber quer as facções mudam mas o objetivo é sempre o mesmo. Como diz o Peréio improvisando Reich:” Os paus mudam mas o cú é sempre o seu! .” Zé Mane!
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Legalize Chico Science

fez muitas mentes no globo, cantando em português. O ritmo dele se encontrou com seu pensamento e transcendeu as barreiras da língua. Por isso o nome. Ele é o tipo de musico que faz o cara dar um jeito de descobrir o que a musica ta dizendo, inevitavelmente entrando em contato com a língua original. Se o inglês esta entrando naturalmente que sejamos logo um país bilíngüe, assim tem mais chance do nosso português ganhar simpatia no mundo. Cultura nós temos para explodir internacionalmente.
Sejamos realistas: O que não dá mesmo é pra ficar confabulando.
O mundo é uma aldeia global.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O ciclo vicioso dos bons costumes
Fala sério?
Sexy!!!!
Todos os dias quando acabo de treinar leio essa frase no muro.
“Sucess is a journy not a destination”
Acabo de cumprir meu dever físico mas não o cívico. Pudera a vida toda reservar as manhãs aos treinos, as tardes aos estudos e as noites ás loucuras. Mas como civil eu preciso votar e ter documentos, pagar impostos e ter o mínimo de bons costumes. Não preciso ter educação. Por isso a corja dos bons costumes se espalha pelos 3 poderes exercendo seu domínio idiota. Eles são incapazes, mas vestem bem. Não formam quadrilhas, mas dinastias. São os representantes do povo, mas prestam contas apenas entre si.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sambinha em Laranjeiras
"O samba é saudável" disse uma mulher de argolas gigantes. O marido debochou e deu um gole no seu wisky derretido. Outra mulher entrou no salão esvoaçante, antecipando o verão. Um tiozão esbarrava em mim “sem querer” toda hora. Chamei de ogro. Tava sempre esboçando um sorriso. E a passista com suas alunas suecas brilhando com um jeans tão justo e modelado que poderia sambar sozinho, imagino. As mulheres ao fundo, tem vergonha de chacoalhar os quadris na cara dos músicos que como não estão sobre um palco, se divertem com a vista das outras mulheres que esquecem da vida, da profissão, dos filhos em casa e se sentem gostosas num delicioso exercício de pernas e vaidade. E assim elas se espalham desvairadas pelo salão, abrem e fecham os olhos, ganham a confiança do garçom e tomam uns drinks a mais.
domingo, 23 de agosto de 2009
Á Deriva com Herchcovitch

Eu não queria ir. Passei na frente do cinema, ele piscou pra mim. Não era uma esquina qualquer. Era um investimento moderno que fazia-se parecer antigo, com carpete vermelho, escadas originais de corrimões rococó e cheiro de pipoca. Só faltava mesmo a roleta. Resolvi terminar de tomar o meu suco lendo cartazes.
Á deriva. Acho que sou eu.
Pelo menos é assim que eu fico nas entressafras. Mas tem uma certa disciplina nisso tudo. Eu nado cedo, leio livros conceituais, escrevo muito e ando sem rumo, mania que peguei em São Paulo, onde não há pontos de descanso que não sejam efervescentes.
O cartaz me convidou, era azul, lindo maiô de listrinhas. Novo filme do Dhalia com Alexandre Herchcovitch pilotando o figurino, sou loca por ele! Minha caneca gigante do Mickey caveira, companheira das manhãs folgadas, não me deixa mentir. Conheci aos 14, quando comprei de uma coleção dele na Ellus uma blusa dourada-tranparente com três caveiras desenhadas, que era muito ousada para uma garota. Desde lá somos muito amigos.
Acho que foi a primeira vez que eu entrei pra ver um filme por causa do figurinista, e nos primeiros momentos estava ele lá delineando linhas. Não tinha nenhuma caveira de fato, mas sim um primor pelos ossos, tudo parecia feito com cuidado para destacá-los tocando delicadamente o corpo dos atores, confundindo pele e tecido ao vento. Não só o figurino mas tudo no filme sugere algo anatômico. Seu esqueleto lembra "Limite" de Mario Peixoto, onde uma sensação comanda a história e dirige o publico (ponto pro diretor) o músculo fixa essa estrutura, e assim a história nunca se desvia (ponto para o roteirista) a pele cria forma e embeleza (ponto pra fotografia), o sangue trás o gênio e dá cara a tapa, (ponto pros atores) e por fim Herchcovitch entra em cena, vestindo essa transação intra semiótica.
Aff!!! A essa altura já perdi a capacidade de analise. (ponto para o publico)
Então viajei na aventura de Felipa que lembrava um rito de passagem, cheio de descobertas, sensações aquáticas, belas paisagens e uma certa dose de desespero.
Através das revelações de infidelidade dos pais, Felipa consegue se desvencilhar dos seus próprios tabus e mergulhar na sua própria sexualidade sem tantas idealizações. Outras questões são levantadas, mas não se impõe á mente feito narrativa com porto seguro. Tudo está á deriva, navegando sem rumo certo, como na primeira caneca de café, ou passar na porta do cinema e entrar, ou ter 14 anos. Seja qual for ocasião, a primeira vez, o primeiro wisky, o primeiro Herchcovitch, os momentos á deriva são os que ficam na memória.
sábado, 22 de agosto de 2009
O Muro
Assim como a China, Berlim ou Nova York, o Rio também tem o seu célebre muro. O muro da fama. Apesar de invisível, todas as pessoas no Rio estão em alguma posição em relação ao muro. De um lado os famosos, com festas e fins de semanas Vip's em ilhas de milionários. De outro lado os anônimos, trabalhando e gastando muito dinheiro nas mesmas coisas que os famosos ganham de graça. E finalmente a nossa classe, dos que caminham performáticamente por cima do muro.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Um post vagabundo
Entre os heróicos, os românticos e os autruístas eu prefiro os vagabundos.Os vagabundos confundem a lógica do tempo
São os únicos que na inércia produzem mais do que na ação
Trabalha no banho, trabalha dormindo, trabalha sonhando
Os vagabundos são maquinas de fazer idéias
Quase todas meio erradas, apimentadas
mas nem tudo sai da cabeça
O vagabundo no fundo é um cara que sabe tirar férias das idéias
Não se deixa possuir pelas fixas como os seres comuns
Um fera.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Dom
Não que não chore nem fique triste.
Choro, sim. De arrancar os cabelos. De sentir o coração em cada uma das extremidades.
O segredo está exatamente os extremos. Onde o sistema fica nervoso. Labirinto de emoções. Aposto alto e posso perder o dobro.
E assim surge um novo amor.
O mais longínquo de todos os destinos da Terra.
domingo, 24 de maio de 2009
Primeiro Contato
Produção.K.e a peça do colégio:
Mas não tem papel?
Tem. Na produção. Quer dizer de produtora.
Produtora, pode ser.
Tava dentro.
Qual o primeiro passo? O que uma produtora faz?
Pede dinheiro.
Pede dinheiro? Como assim?
O senhor teria um trocado pra ajudar a produzir a peça do colégio...
Tipo pegando as pessoas na rua?
Já fazia isso antes com as amigas, pra comer no mc donald’s. O texto era: O senhor tem uma ficha telefônica ou 10 centavos? Preciso avisar a minha mãe que não vou chegar em casa pro almoço. Mendigagem burguesa. Vivia levando sermão de velhinhas indignadas. Mas o fato é que ainda funcionava melhor do que pedir apoio pra pecinha do colégio.
Você tem que conseguir verba pra imprimir os convites, e comprar pratos e copos descartáveis pra festa da estréia. Importante também, é conseguir apoio do brechó pra os adereços de época.
Mas e o texto? Sobre o que é a peça? Qual é a época?
É sec XVIII, são 8 atores o diretor e 2 contra regras, e o teatro tem 250 lugares. Tem que encher!
Qualquer pergunta só piora.
Mas qual é exatamente a minha função?
Produção.
O que é produção?
Produção é tudo o que necessita ser feito pra que a peça aconteça. TUDO.
Hoje não é muito diferente, só que é profissional. Até a verba, ainda vem do povo.
Acontece que na nossa cena, ninguém quer ser “o cara” responsável por TUDO.
O cara pra “jantar” caso a casa caia.
Poucos compreendem que esse é só mais um papel que o produtor representa. “Cristo”
Então a figura do produtor é ao mesmo tempo inexistente e onipresente. Na sua presença todos se dirigem a ele como um deus errante, meio inimigo, meio divindade. Na sua ausência, todos incorporam um pouco dele em suas funções.
Não podemos deixar que sumam da face da terra, nem que dominem o planeta.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Sistema Enganoso

Esse objeto é seu?
Sim.
Ela é registrada?
Não.
Onde você conseguiu?
Encontrei. Num velho porão abandonado.
Você sabia que esse é um objeto perigoso?
Depende de quem usa.
Você não está dando as respostas corretas
Me deixe ir embora!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Blue Fairy
Ando fugindo de Sofia. Ela precisa de um final. Sugeriu que a ultima frase do filme fosse " Agora acaba o filme e começa a vida"" Agora acaba o filme e começa a vida" , LOUCURA! Ela quer se libertar por completo do roteiro e virar gente de verdade. Se comporta como o Pinocchio. E mente com a mesma intensidade. Quem trocaria problemas de um filme com happy end garantido por problemas de verdade?
terça-feira, 5 de maio de 2009
In love
Horizonte?
Saí de Sampa quase fugida, com a sensação de que tudo aquilo era um cenário imaginário, violentando minha calma, influenciando os meus nervos, distraindo minha grana. Larguei casa, família, namorado, emprego promissor, tudo na cidade que um dia, despertou todos os meus sentidos.Houve uma época que eu andava pela rua sem rumo, conhecia cada beco do meu bairro. Falava com malucos, contadores de história, andava de madrugada nas ruas e vivia fazendo novas descobertas. Ficava horas sentada na calçada com a minha amiga mais espirituosa, sendo mal falada e falando de todos os lugares que eu desejava ir um dia.
Quinta de manhã voltei para a cidade com um objetivo, fazer imagens. Imagens que identifiquem São Paulo.
Não era fácil pra mim ficar no obvio. Eu queria captar sensações. Comecei fazendo enquadramentos estranhos nos “cartões postais”e aos poucos foi crescendo a vontade de filmar tudo, tudo o que aquela cidade já me ofereceu de mais inspirado e antagônico. Foram 3 dias, onde a cidade não obedecia seu ritmo insano, abençoada por um feriado mais do que oportuno. Impossível filmar tudo mas o improvável aconteceu, e a paulistana que desertou em busca de novas paixões, subitamente se apaixonou por sua cidade natal.
Aquilo era tão parte de mim que eu nem sabia que existia. Aquilo era tão eu, que eu nem sabia que amava. Pela primeira vez entendi a sensação da “saudosa maloca" e a cidade fez sentido, mesmo parecendo mais non sense do que nunca. Será que apaixonar é isso? É contemplar de dentro tudo o que está fora e achar lindo? É descobrir nos sonhos, que se está sonhando e não acordar? É injetar adrenalina na veia e captar apenas a máxima freqüência de tudo?
É ver pela primeira vez e entender que sempre se esteve lá.
Adaptada ao meu estilo de vida carioca, muito carisma e pouca roupa, não consegui me ver definitivamente de volta.
Mas a cidade ainda guarda sobre mim, segredos que eu pensava já ter desvendado.
